Arquivos do Blog

Criticar marcas nas redes sociais é trollar?

Recentemente participei de um painel no youPIX Festival, cujo tema perguntava qual a razão de os trolls serem importantes. O assunto me pegou de surpresa, porque nunca imaginei que os trolls pudessem ter algumaimportância. Mas como esse adjetivo é algo relativo prá caramba, saí em busca de uma possível contribuição positiva de um estereótipo tão nocivo às comunidades online.

Ao meu lado, na discussão, estavam Demi Getschko (NIC.br), Bruno Tozzini (DM9), Wagner Mr. Manson Martins (Espalhe) e Éden Wiedemann (F.biz), sob a moderação o Alexandre Matias (Estadão).

Como a maioria do time vem da publicidade, a discussão naturalmente enveredou para o “xingar muito no Twitter”. Casos recentes como Brastemp, Renault e Arezzo foram citados como episódios delicados para quem trabalha com gerenciamento de marcas nas redes sociais.

É aí que pergunto: manifestar insatisfação a uma marca de modo massivo nas redes é trollar? Espia só um conceito amplo da coisa, by Wikipedia:

Um troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas.http://pt.wikipedia.org/wiki/Troll_%28internet%29

O usuário que critica uma empresa na sua timeline e noutros espaços do gênero, aos meus olhos, presta um serviço à marca. É quase o contrário da trollagem, que desvia o foco da discussão por motivo fútil e de modo agressivo. Tá certo que algumas críticas – como alguém da plateia lembrou do site ReclameAqui – também são agressivas. Mas quando têm fundamento real (problemas com produtos ou serviços) me parecem válidas e não vazias como o troll.

Se for para rotular a voz do consumidor nas redes sociais como trollagem, então vamos falar em “troll do bem”, se é que a contradição do termo não o inviabilize. Mas o “troll do bem” é o sujeito que dá o troco na mesma moeda. Lembro do projeto “O Grande Troll”, de uma dupla de comunicadores de Florianópolis. Eles lançaram o desafio para o público trollar os políticos que trollavam na época da campanha, em 2010. Não se trata de dar o exemplo, mas de mostrar a quem trolla o quanto é chato ter a timeline literalmente invadida (sem ter dado “follow” àquele sujeito) por mensagens tipo spam com números de urna e discursos em sequências imperdoáveis de tweets.

Minhas reflexões sobre a importância do troll seguiram outro caminho pré-evento – o do mal necessário, do fator desestabilizante capaz de imunizar ou pelo menos alertar os usuários de que as mídias sociais não são um mundo cor-de-rosa e que nossos followers podem nem sempre aplaudir o que postamos.

Mas não nego que o rumo que a discussão tomou foi prá lá de interessante.

E você, acha que xingar uma marca no Twitter, após ela ter pisado na bola com o consumidor pode ser considerado troll?

Por @AnaBrambilla

Vi Aqui

%d blogueiros gostam disto: